O  TEATRO  


O  Teatro é um dos grandes vectores de expressão da Cultura Avintense. Na expressão, feliz, do escritor José Vaz, é uma arte onde os protagonistas se podem definir como "Os emprestadores da Alma". Homens e mulheres que não fazem desta arte profissão, mas que só são amadores na forma como, de facto, amam cada personagem que representam. Na actualidade, «Os Plebeus» e o «Grupo Mérito Dramático Avintense» são os dois grandes protagonistas da cena teatral avintense.

A génese do «Grupo Mérito» deve ser procurada no longínquo ano de 1908, quando alguns avintense resolveram agrupar-se num barracão dos irmãos Barrote (Henrique Ferreiro de Almeida e Anacleto Ferreira de Almeida), para aí se dedicarem à ginástica educativa e de aplicação.

Mas, era o teatro que preenchia as sua almas e, nas suas horas livres, procuravam recrear-se, cada um mostrando os seus dotes, recitando, declamando ou divertindo.

Assim, em 8 Fevereiro 1910 o Grupo Mérito Dramático Avintense constituía-se formalmente. A alma teatral tinha levado a melhor. Os seus 'fundadores foram, além dos irmãos Barrote, Saint Claír Lopes dos Santos, João Manuel Castra Louro, Eleutério Fonseca da Rocha, José Fernandes de Oliveira, Daniel Ferreiro Pinto Júnior, Manuel Pereira Dias Júnior, Sebastião Monteiro Borges, Manuel Santos Baía, Daniel Monteiro da Fonseca, António Teixeira Lucas Júnior, Francisco Dias Flores, Manuel Pereira da Rocha Júnior, José Fernandes da Silva, António Francisco de Almeida, Mário da Silvo Moreira, António Soares Monteiro, Alberto Joaquim Fernandes, António Pereira Soares da Silva, Raul Albuquerque e António Nunes.

TERRA DE TEATRO

Só com o Grupo Mérito, o teatro adquiriu, em Avintes, a sua verdadeira dimensão e vigor ,  consideram  os responsáveis da agremiação.
  assim  a  localidade passaria a ser considerada uma terra onde se faz teatro.

Durante alguns anos, monopolizou a actividade cultural avintense e, ao longo do tempo, soube manter uma posição de destaque. Rezam as crónicas que a primeira peça foi estrteada a 21 de Maio de 1911 e intitulava-se "Opressão e Liberdade".

De acordo com os especialistas do Grupo será possível dividir a actividade do mesmo em 6 períodos. O primeiro vai até 1940 e e caracterizado por um teatro que vai da intervenção social a uma espécie de revista à portuguesa. Comédias que se designam por "folie-bergère". Normalmente, os espectáculos tinham como finalidade, angariar receitas para os mais desfavorecidos.

Nos anos 50 o Grupo tem uma década recheada de actividade. O encenador Joaquim Fonseca, o gosto dos seus espectáculos com um mínimo de nível artístico. Para isso escolheu melhores textos e conseguiu reunir um corpo cénico homogéneo. Será a sua década de prata.

Porém, na década de sessenta, o Mérito diminui bastante a sua actividade. Sem encenador, limita-se a reposições e trabalhos menores. Passada a «borrasca», os anos setenta tornam-se na 'década de ouro'. O encenador será Monteiro de Meireles, que vem revolucionar colectividade, reunindo uma boa equipa de actores e técnicas. Escolhe bons textos e 'salpica-os com o seu talento'.

O Grupo participa em vários concursos de arte dramática e obtém prémios em todas as suas apresentações. De entre elas, convém destacar: «Ratos e Homens» (1964), «O Crime da Cabra» (1967), «Albergue Nocturno» (1969) e «O avançado Centro Morreu ao Amanhecer» (1970).

Nos quinze anos seguintes a actividade voltou a fenecer, para renascer em 1985. Através do actor e encenador Fernando Maia, o Grupo Mérito atinge novamente um nível de representação elevado e alcança enormes êxitos de representação. A destacar: «Viúva Porém Honesta (1989), em Viga "O Diário de Anne Frank" (1990) e, mais recentemente, «A Palmatória». Actualmente, encontra-se em fase de acabamento a peça "Pigmaleão", de Bernard Shaw.

Mas, a colectividade, além do teatro, também é repositório dos tradições avintenses. Ao longo dos anos tem participada em realizações e eventos que celebram as tradições e a História da terra. Já contou, também, com um rancho folclórico e tem apostado, ultimamente, em celebrar o carnaval de uma forma especial, com desfiles alegóricos que já se tornaram famosos. Não esquecer, igualmente, a sua participação na criação dos famosos cascatas São Joaninas e a sua recente incursão no mundo desportivo, com a criação de uma equipo de futsal.

Por todos os seus méritos, o Grupo Mérito foi agraciado pela Câmara Municipal, com o Medalha de Mérito Municipal (classe prato) e pela Junta com a Medalha de Honra.  


 «PLEBEUS» COM NOBREZA ARTÍSTICA  


Com oitenta anos de idade, Os Plebeus continuam jovens  e pretendem mantero   sua longevidade, coma exemplo da arte de Talma, a nível amador , ou seja ao nível de quem ama.

Alfredo de Oliveira Dias Penedo foi o fundador da "Associação Recreativa Os Plebeus Avintenses". Com um curso de farmácia e uma cultura geral muito desenvolvida, chegou a declamar perante gente de sangue azul. Mas, para ele, nobres eram Os Plebeus, gente humilde com quem se sentia mais a vontade.

Foi um autêntico pedagogo. Explicava o sentido dos textos e o significado das palavras, lá que alguns dos seus actores eram iletrados, quase mesmo analfabetos, chegando, no entanto, a marcar elevada posição artística no meio teatral avintense.

Em 1968, na comemoração do meio século do grupo, diria o respeito do mesmo. colectividade que eu fundei e o qual dei o nome de "Os Plebeus, acabando por lhe dar toda a minha força, saber e boa vontade, durante quarenta anos, com o mesmo amor com que um pai conduz um filho para o lançar na vida.


 

UMA TRAJECTÓRIA ASCENDENTE

Quando, na década de sessenta, Qs Plebeus se questionaram acerca da substituição de Alfredo Dias, o seu fundador, notou-se a necessidade de uma viragem radical nos formas e nos métodos de trabalho. Acontece que ninguém queria assumir um papel tão violento, numa fase difícil para aqueles que tinham na «mão» os destinos da colectividade.

A mudança era, pois, contra ventos e marés, mas dar-se-ia.. Quando, em 1962, o «Lugre», de Bernardo Santareno, arrancou fontes aplausos no Teatro da Trindade, no Bairro Alto em Lisboa, a mudança consolidava-se. O actor Manuel Lereno acabava de dar uma nova rota ao grupo, ao assumira direcção artística daquela peça.

A partir daí, foi o sucesso: os profissionais começaram por fazer carreira nos Plebeus, as representações iam subindo de nível e os êxitos foram retumbantes. Avintes constituía-se como novo cenário na cena portuguesa. O grupo implantou-se aos olhos do «mundo» e o teatro português ficou muito mais enriquecido.

Dessa data até 1974, Os Plebeus assinaram uma nova dinastia na arte de representar e foram escritores da craveira de um Urbano Tavares Rodrigues e Luís Stau Manteiro e Joaquim Benite, entre outros, que escreveram, sem qualquer rebuço que Avintes dá teatro como rosas na primavera

Com   a Revolução dos Cravos veio, também, a necessidade de mobilização das gentes. Quando o 25 Abril chegou, o grupo trazia duas peças em cena: «Morte de um Caixeiro Viajante» (de Anthur Muler) e a comédia «A Vida é assim» (de Júlio Martins). A primeira, andava em tournée no norte de Espanha e, a segunda, a percorrer o país.

Entretanto, e no ano seguinte, o choque ideológico que se fazia sentir na sociedade também se transportou para o grupo. Os Plebeus chegaram a vacilar, mas o naufrágio foi evitado. O actor Oliveira Alves tomou as rédeas e, acompanhado por elementos identificados com a arte de representar, resolveu encenar a peça de Romeu Castro «O Vagabundo das Mãos de Oiro». O espectáculo seria estreado no Funchal e gravado pela RTP As dificuldades estavam ultrapassadas e iniciava-se uma nova era de êxitos sobre êxitos.

Definitivamente voltados para o futuro, Os Plebeus não ficaram mais agarrados a nenhum tipo de liderança em especial. Assim, passaram pela galeria artística da colectividade encenadores que deixaram obra feita.

Pessoas como o chileno Roberto Merino  que implantou uma nova metodologia de ensaios; como o espanhol Mancho Rodriguez, que fez escola sobre a «Commedia Dell'Arte»; como Eduardo Freitas; como o actor Castro Guedes ou o plástico Moura Pinheiro.

Em 1991, tornou-se necessário mobilizar novas forças, com a dispersão de alguns actores. O grupo soube, de nova, resistir e ancorar-se na sua tradição e na sua vontade. Agora, o desafio passa por acreditar na juventude, par acreditar que é possível cativá-la. Para que a lei da continuidade prevaleça.