O facto da Câmara ter decidido localizar o Parque Biológico e Horto Municipal de Vila Nova de Gaia na nossa terra veio valo­rizá-la imensamente, tanto mais que é o único na Península Ibérica. Mas, razões não lhe deveriam ter faltado para tomar essa decisão, uma das quais foi, concerteza, a situação geográfica e ambiental da Quinta da Cunha de Baixo, pertencente a Manuel António Pereira da Costa e a Laurinda Pereira Dias.

A abertura oficial realizou-se em Novembro de 1985 e, bem servido pela estrada nacional 222, desde logo começou a atrair imensa gente, sobretudo jovens e crianças.

Tudo o que existia foi cuidadosamente preservado e restaurado.

O     Febros, que atravessa o Parque, foi limpo e hoje já lá se podem ver peixes, protegeu-se a flora espontânea e variada como os carva­lhos, sobreiros, castanheiros, eucaliptos, pinheiros e acácias e, junto ao rio, os amieiros, os choupos, os salgueiros, etc. Para além destas árvores, outras foram plantadas já pelos antigos donos, principalmente de fruto.

No ano de 1992 foram produzidas 50.000 novas árvores, a somar às 30.000 em crescimento no viveiro.

Quanto à faina e à flora foram inventariadas em 1983 cerca de 255 espécies. Todo este conjunto biológico é o exemplo paradigmá­tico do equilíbrio ambiental e do ecossistema.

A paisagem não podia ser mais convidativa, os recantos idílicos do nosso querido regato convidam ao descanso, aos piqueniques, ao contacto íntimo com a natureza, ideal para mostrarmos às crian­ças como era todo o planeta antes de nós o termos transformado no que ele é agora.

Cumprindo uma função ao mesmo tempo lúdica e didáctica, o parque biológico de Avintes constitui hoje um ponto de referência e um local de obrigatória visita. Nós, avintenses, podemos e deve­mos fazer dele um hábito, transmitindo-o aos mais novos.

Ficaria incompleto este pequeno apontamento se não nos refe­ríssemos à casa e ao moinho restaurados em 1989, com o intuito de criar um ecomuseu rural, já que todos os moinhos que existiam nas margens do rio Febros desapareceram. Aqui fica este que, antes de ser um museu, trabalhou e moeu muito grão, quem sabe não voltará a moer, pelo menos era a intenção dos responsáveis do parque.

Das iniciativas levadas a cabo desde a sua abertura, merecem especial destaque o "1 Encontro sobre Educação Ambiental", que decorreu entre 4 e 6 de Outubro de 1990 e reuniu dezenas de especialistas, com o intuito de comparar as experiências de Educa­ção Ambiental em curso, e o programa de animação "Sábados no Parque", lançado em 1992, o qual tem tido uma enorme adesão.

O parque viu alargada a sua superfície para 15 hec­tares. Possui já, um centro de acolhimento para os visitantes, com auditório, camaratas e refeitório, o que cons­titui um novo ponto de interesse, a somar aos muitos que já existem.

O museu vivo que nós queríamos que fosse o Febros é, agora. este parque com imensas potencialidades ainda por explorar. Cabe-nos a todos ajudar a vencer os obstáculos que tantas vezes se erguem ao crescimento e aperfeiçoamento duma grande obra.