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A seis quilómetros do Porto, na margem esquerda do Douro fica situada a bela e importante freguesia de Avintes.

A norte, norte e leste, serve-lhe de limite natural o Douro que a banha em toda a sua extensão, desde a embocadura do Febros até ao ribeiro de Arnelas, distância superior a cinco quilómetros.

Pelo lado do oeste e sul, os seus limites são bem mais complexos. Na extensão de cerca de três quilómetros, isto é, desde o Esteiro (e não Esteio, como muitos erradamente dizem) até ao lugar da Cunha, Avintes vai quase seguindo a margem do regato; ao entestar, porém, com a freguesia de Pedroso, deixa aquela margem e retrai-se até próximo da estrada da Bandeira a Lobão, a oeste da qual vai seguindo a pouca distância e em linha paralela, até ao célebre Marco dos três juizes.

Daí, deixando ao sul a freguesia de Olival, alinha para o pequeno ribeiro de Arnelas.

É preciso, porém, notar que a corrente do Febros nem sempre é a linha divisória, que separa a nossa das freguesia vizinhas, inter­ceptando-se em vários pontos, em relação ao regato, as duas extremas de Avintes e de Vilar de Andorinho.

Fica, pois, Avintes situada no extenso monte que separa o Douro do Febros, ocupando, na sua metade do norte, as duas vertentes oriental e ocidental desse monte; e na metade do sul, apenas a primeira daquelas vertentes e o planalto cortado pela estrada.

Para apanhar em globo a vista geral desta formosa freguesia, eu vou conduzir o leitor a dois magníficos pontos de vista, encan­tadores um e outro pelas pitorescas paisagens que se lhe desenrolam em frente: um é a Costa de Oliveira, o outro é a ribeira de Avintes.

O panorama visto da Costa é surpreendente. Do cais do Esteiro desenrola-se um longo cordão de casas, que, seguindo o costado do monte, o corta a meia altura, até se perder de vista lá pela Gandra fora. É a estrada da Bandeira a Lobão, que aqui atravessa pelo meio da freguesia. Do Esteiro ainda parte um outro cordão de casas, que, galgando o monte a toda a sua altura, percorre o planalto que o coroa, e vai entroncar na estrada no lugar de Cabanões. Do sopé do monte, do Rio de Azenha, ergue-se uma terceira corda de casas, que, seguindo pela Rua Nova, vai juntar-se também à estrada em Cabanões, o lugar mais central da freguesia.

Entre estas três longas fileiras de casas, vêem-se muitas outras disseminadas, que indicam vias de comunicação entre as três grandes passagens. Em baixo, na raiz do monte e a desaparecer numa curva atrás dos cerros aprumados do Crasto de Vilar, vê-se apinhado o lugar de Febros; de forma que todo o monte, desde a fralda até ao cimo, é salpicado por imensas casas e muros brancos, a destacar na verdura das latadas que o revestem.

Em baixo, no vale que separa o monte de Avintes dos penhascos de Vilar e da encosta de Oliveira, estende-se uma estreita mas longa ribeira, pelo meio da qual serpenteia o Febros, poético regato quase escondido debaixo da folhagem mimosa dos salgueirais e dos choupos esguios que o ensombram.

Este ribeiro, além de ser uma das maiores belezas rústicas destes sítios, com as suas paisagens encantadoras, ora deslizando suave e silencioso por sob as abóbadas frondosas dos arvoredos, ora des­penhando-se fragoroso e espinando entre escalvadas penedias, para ir mais abaixo precipitar-se no cavouco limoso do moinho; este ribeiro é além disso uma grande riqueza da freguesia, pela sua força motriz empregada em mais de cem rodas de moinhos.

Estou convencido de que foi talvez este regato um dos elementos que antigamente mais contribuiu para a povoação e rápido desenvol­vimento desta terra cuja indústria mais antiga e rendosa foi, como se sabe, o fabrico do pão de milho.

Ninguém melhor que o ilustre avintense João Alves Pereira para caracterizar Avintes, freguesia do concelho de Gaia, comarca e dis­trito administrativo do Porto.

"Situada na margem esquerda do Douro, que atinge nesta freguezia a sua máxima beleza e o seu mais luzido esplendor, como adiante veremos, uma colina de maravilhas e encantamentos, que encerra uma paisagem cheia de mimo e doçura, bucolismo e graça, é alegre e festiva no seu aspecto risonho, fidalga e gentil no seu sorriso de enfeitiçamento".

O Visconde de Vilia Maior, no seu "Douro Ilustrado", partilha da mesma opinião, quando afirma que nada é mais risonho e apra­zível do que a paisagem que na margem esquerda do rio apresenta a freguesia de Avintes.

               GONDIM, Osório - Avintes e suas antiguidades

Compõem esta freguesia os seguintes lugares:

Agra, Avintes, Aldeia Nova, Além do Ribeiro, Areias, Areinho, Azenhas, Balsa, Bocas, Cabanões, Campos, Carril, Casal, Chãos, Costeiras, Cunha, Espinhaço, Febros, Fiáes, Fontiela, Gandra, Gradouro, Igreja, Magarão, Menesas, Outeiro, Paço, Padrão, Porcas, Portelas, Pou­sada, Queimada, Quintã, Quinta do Rego Pinheiro, Rego Pinheiro, Rio d'Azenha, Rua Nova, Sobreira, Souto, Soutulho e Valeiras.

O solo de Avintes é bastante fértil, apesar dos lugares altos sofrerem a escassez de água. O clima é ameno. influenciado pelos ares do rio, e bastante saudável. Esta freguesia, por estar situada nas encostas dum monte, tem uma óptima exposição ao sol durante todo o dia.

Concluindo, a geografia de Avintes insere-se numa mais abran­gente que caracteriza o Douro Litoral, todo ele sob a influência imediata da cidade do Porto. Esta região composta duma manta granítica e arcaica tem muitas afinidades com o Minho, apesar da sua cor menos verdejante e dos campos menos retalhados. Dispersa, mas densamente povoada, devido aos leitos que a sulcam e aos cabeços onde civilizações arcaicas sobreviveram, possui um clima favorável à agricultura de minifúndio. Todas estas condições propiciaram, pois, a auto-suficiência e independência das comuni­dades rurais que ai se formaram, das quais Avintes é paradigma.