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Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu na cidade do Porto, nº 370 da Rua Formosa, a 9 de Abril de 1942, Filho de Joaquim Gomes de Oliveira (conhecido por Joaquim
Trafegueiro) e de Laura Correia. "Vivia na Quinta de Porcas, onde ainda hoje se respira um ambiente marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio." "Adriano levava todos os amigos para a quinta (segundo Roberto Machado chegavam a juntar-se cerca de 30 pessoas), onde D. Laura, como excelente anfitriã, recebia os amigos, os familiares dos amigos... Aquela era a casa de todos, assim como vieram a ser mais tarde todos os lugares de Adriano - de todos." "Após a instrução primária, que completou em
Avintes, frequentou o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, onde finalizou o curso do liceu, tendo-se revelado um excelente aluno.
"A primeira aspiração de Adriano no campo cultural foi tocar viola eléctrica no conjunto ligeiro da Tuna Académica, lugar para o qual tinha já alguma experiência. No entanto, esse lugar já estava ocupado por José Niza, acabando Adriano por procurar um novo caminho para a música." "Adriano desde cedo se integrou em vários organismos culturais e desportivos da Associação Académica de Coimbra, deixando o curso de para actividade secundária. Tornou-se assim elemento do Orfeão Académico de Coimbra (onde ocupava o lugar de primeiro tenor), fazendo também parte do grupo universitário de danças regionais. No CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Académia de Coimbra), foi actor e colaborador. Foi jogador de voleibol da Briosa e mais tarde colaborou nos Cadernos Culturais da Associação Académica. A iniciação no fado aconteceu com Eduardo Melo. Adriano começou a assistir aos ensaios do Grupo Eduardo Melo, do qual faziam parte o irmão Ernesto Melo, Durval Moreirinhas e Eduardo. Adriano tinha uma voz suave e triste, mas apesar de tudo potente." "Adriano acompanhava este grupo durante as serenatas de rua. Nas noites mais frias em Coimbra, para manter as mãos quentes, a solução era, para os instrumentistas, pôr umas pedras ao lume, aquecê-las bem e depois envolvê-las em jornais. Colocadas nos bolsos, permitiam manter as mãos quentes, facilitando o dedilhar. Mas era necessário que alguém levasse os instrumentos... Adriano era uma espécie de aguadeiro: era o indivíduo que levava a viola de Durval Moreirinhas para que este pudesse manter as mãos quentes. Até que um dia houve uma serenata em que o cantor, por um motivo qualquer, faltou. Como alternativa, Adriano teve que cantar porque conhecia todas as letras. Todo o grupo ficou surpreendido porque, se a voz não resultava no interior, ao ar livre era excelente e muito semelhante à de Zeca Afonso. Este acontecimento foi uma conquista para Adriano, pois assim viu a sua oportunidade de integrar o grupo."
"Foi um grito, talvez um novo "grito do
Ipiranga". Há sempre alguém que resiste É como se brotasse de uma fonte cristalina, pura, uma réstia de esperança que permitisse ganhar coragem para enfrentar mais um dia, mais um ciclo, mais umas horas de interrogatório... A Trova viria a tornar-se um hino do movimento estudantil." 1966
Tu e eu meu amor Nua a mão que segura Tu e eu meu amor... Nu o corpo ao nascer Tu e eu meu amor "O ano de 1966 acabou por representar uma viragem na vida pessoal de Adriano, acabando mais tarde, por se reflectir na sua produção musical. "..."Residia numa casa de estudantes com a Ana Monteiro, a Manuela e a Conceição. Todas nós estudávamos em Lisboa. A Ana Monteiro desafiou-nos para irmos à boleia para Aveiro no Carnaval de 66. E fomos as três à boleia de Lisboa para Coimbra. Em Coimbra parámos na república Rás-Te-Parta e foi nessas circunstâncias que conheci o Adriano. Nesse mesmo ano, casámos em Outubro."... Matilde Leite"
"Cantar Abril"
1981 É afastado da Cantarabril, associando-se à Cooperativa Era Nova, onde volta a encontrar velhos amigos. Participa numa sessão de solidariedade com os presos do PRP (Partido Revolucionário do Proletariado). 1982 Em Setembro participa numa festa de solidariedade com os trabalhadores da Anop, no Coliseu dos Recreios. O último espectáculo de Adriano aconteceu em Mondim de Basto, num encontro do partido comunista, que se realizou numa escola. A 16 de Outubro sucumbe, vítima de um acidente vascular esofágico.
Adriano Correia de Oliveira |